A inteligência artificial foi tratada, nos últimos anos, como solução definitiva para problemas que sequer estavam claramente formulados. Orçamentos milionários foram aprovados sob o mantra do “AI First”. A promessa era hiperprodutividade, vantagem competitiva e transformação acelerada.
Mas uma pergunta começa a ecoar nas mesas executivas: por que tanto investimento ainda gerou pouco impacto estrutural?
Relatórios recentes de mercado indicam um padrão: muitas empresas avançaram em pilotos e provas de conceito, mas poucas converteram essas iniciativas em valor consistente de negócio. A IA foi adotada com velocidade. O retorno, nem sempre.
Estamos encerrando o que pode ser chamado de fase romântica da IA.
Quando a ferramenta virou protagonista ↩
Toda tecnologia passa por um ciclo previsível de euforia e ajuste. A IA generativa não é exceção.
Na fase romântica, a ferramenta foi colocada no centro da estratégia antes mesmo de o problema estar claramente definido. O “AI First” reforçou essa inversão: a tecnologia virou ponto de partida.
Mas tecnologia é meio, não fim.
Multiplicaram-se experimentos desconectados da estratégia, iniciativas sem métricas claras e projetos implantados sobre estruturas organizacionais que já apresentavam ineficiências. Como qualquer acelerador, a IA ampliou o que estava posto.
Tecnologia acelera o que existe. Se o processo é confuso, ela automatiza a confusão.
De AI First para Value First ↩
O movimento agora é de maturidade. A pergunta deixou de ser “como usamos IA?” e passou a ser “onde a IA gera impacto mensurável?”
Isso desloca o foco do AI First para o Value First.
Value First significa começar pela dor real do negócio. Definir indicadores claros. Avaliar riscos. Ajustar cultura e governança. Só então escolher a tecnologia adequada.
É menos sedutor, e mais eficaz.
A nova equação organizacional ↩
Ferramentas capazes de gerar código, estruturar análises e acelerar decisões já fazem parte do cotidiano corporativo. A possibilidade de hiperprodutividade é concreta.
Mas modelos generativos ainda alucinam, interpretam mal contextos específicos e exigem validação crítica.
A equação que começa a se consolidar não é humano versus IA. É humano + IA.
Isso implica novos papéis, novas atitudes e novas competências. Supervisão, curadoria, pensamento sistêmico e capacidade de formulação de problema tornam-se centrais. A IA não elimina a necessidade humana — ela eleva o nível da exigência humana.
Se desligamos o “play” do AI First, precisamos ativar outro: o da maturidade cultural.
O verdadeiro diferencial: mentalidade e método ↩
Maximizar o impacto da combinação humano + IA exige mais do que tecnologia. Exige transformação cultural.
Quando falamos em gerar valor real, falamos de times capazes de aprender, modelar problemas complexos e redesenhar cenários futuros com clareza estratégica. Falamos de squads ágeis combinados a “Turing Squads” - equipes preparadas para extrair o máximo das IAs generativas dentro de contextos específicos de negócio.
A aceleração não vem apenas da máquina. Vem da capacidade coletiva de formular melhor, aprender mais rápido e criar com propósito comum.
Métodos estruturados de aprendizagem e inovação tornam-se o elo entre tecnologia e impacto. Ao combinar processos universais de modelagem, criatividade e entendimento profundo do contexto — como no Design Integral — com LLMs e agentes generativos, o que se busca não é automação indiscriminada, mas hiperinteligência aplicada.
É quando as mentes se conectam em torno de um propósito comum que surge algo maior: uma “super mente” organizacional, onde talentos humanos são potencializados pela tecnologia.
A IA amplia a capacidade de execução. Mas é o método que direciona essa potência.
A maturidade como vantagem competitiva ↩
Se os últimos anos foram marcados pelo entusiasmo, 2026 pode representar a virada de página.
Não como o ano da revolução definitiva, mas como o ano da desromantização.
Colocar a IA no lugar certo não significa reduzir seu potencial. Significa finalmente usá-la com racionalidade estratégica, método e maturidade cultural.
AI First foi mobilizador. Value First é o que gera impacto.
A transformação real não acontecerá porque temos modelos mais poderosos.
Acontecerá quando combinarmos tecnologia, método e inteligência coletiva para resolver problemas complexos de forma intencional.
Talvez a fase adulta da IA seja menos barulhenta - e infinitamente mais transformadora.
Disponível em: TI INSIDE
Sobre a Squadra ↩
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